blog02_protv_obitel

por Renata Lea

Um tuíte sobre um evento: Transmídia foi o único tema presente em todas as mesas do XI Obitel. O outro destaque foi a ficção turca.

Pois é, storytellers de plantão, entre o 2014 e 2015, a transmídia entrou na teoria televisiva, e a ficção turca entrou na prática. Essa foi uma das várias reflexões deixadas pelo time do Observatório Ibero-Americano da Ficção Televisiva, que passou o último dia 1o de setembro discutindo os destaques da TV no último ano.

O foco de discussão foi a quetsão do formato, que vem se renovando na TV mundial. Enquanto as novelas caem tanto em horas de exibição como em audiência, as séries proliferam. Entre essas duas pontas, miniséries, maxseries (ou mininovelas), realities e outras ideias vêm buscando seus espaços e desafiando os acadêmicos a conceituar cada novidade.

Essa questão, embora não seja uma preocupação muito racionalizada por criadores – Wacyr Carrasco, por exemplo, comentou que quando tem uma ideia, ela já chega no formato certo – implica em definições importantes quando falamos em projetos transmídia. Para começo de conversa, saber como será a trajetória de exibição de uma trama é fundamental na hora de montar a timeline e encaixar cada ação.

Da mesma maneira, ao contrário do que acontece com a maioria das ficções registradas pela academia, o sentido de uma obra transmídia está em partir de um universo tão rico que não caberia em uma só plataforma. Numa equipe de criação multiplataforma é muito importante conhecer os formatos e seus potenciais a fim de tirar o melhor proveito de cada um.

Foi discutindo esse tema Alvarenga Jr. trouxe para a mesa a única ficção televisiva tratada no evento antes de ir ao ar. As primeiras chamadas de Supermax foram exibidas recentemente, mas a série já caiu no gosto do público, despertando cocriadores que postaram suas próprias montagens do trailer. Gamers também têm deixado claro o interesse, e não será surpresa se o universo de Supermax for extendido em jogos – quem sabe, criados pela audiência.

Alvarenga Jr. não deixou claro se a série foi pensada para ser transmídia, o que deve ser bem possível, já que a Globo tem investido nisso. Rosane Svartman, inclusive, contou que as equipes de criação de novelas já contam com profissionais como programadores e roteristas transmídia desde o começo do processo a fim criar um projeto multiplataforma. Enquanto isso, em Portugal e em nossos vizinhos latinoamericanos, o termo transmídia ainda é conceitual, embora haja tentativas tímidas de interações via redes sociais.

No caso de Supernax, também chamou atenção a equipe de criadores, formada por oito autores de destaque no cenário audiovisual brasileiro, como Carolina Kotscho (2 Filhos de Francisco), Raphael Draccon (Dragões de Éter), Fernando Bonassi (Luxúria), Braulio Mantovani (Cidade de Deus) e Denisson Ramalho (especializado em filmes de terror).

Além de tudo isso, série de terror  já tem franqueados de língua espanhola, que partirão do mesmo universo ficcional, contando a história com elementos e estilos próximos à cultura do país de exibição. Supermax é só mais uma prova de que a Rede Globo é incansável na hora de produzir ficcção e que sabe como tirar proveito de cada produto que vai ao ar. Mas, infelizmente, o Obitel não contou com representantes de outras emissoras, e o público sentiu falta de informações sobre os sucessos produzidos no Brasil recentemente, como Os Dez Mandamentos.

Se o time brasileiro do Obitel precisa respirar fundo e dormir menos para discutir tudo o que é exibido na TV nacional, a experiência dos colegas de outros mercados latinoamericanos é diferente.

Estavam representados na 11a edição do Obitel oito países – Colômbia, México, Argentina, Chile, Uruguai, Peru, Portugal e Brasil -, seis deles relataram queda na produção de ficção própria, especialmente de novelas. A maioria ainda importa obras brasileiras, mas a ficção turca já rouba um pouco do share em que sempre reinamos.

A Rede Badeirantes, que exibe novelas turcas no Brasil, não estava presente ao evento, e os dados a respeito da repercussão dessas obras no país ficou na curiosidade. Por outro lado, Colômbia, México, Argentina, Chile, Uruguai e Peru deixaram claro a receptividade da audiência latino americana ao estilo narrativo e qualidade das produções, independente das diferenças culturais.

As quase 10 horas conversa no XI Obitel foram de uma riqueza absurda, mas foram curtas para todo o conteúdo estudado pelo Observatório Ibero-Americano da Ficção Televisiva, mas dá para ficar apar de tudo baixando o anuário (Re)Invenção de Gêneros e Formatos da Ficção Televisiva.