20160829_BlogEra_A face técnica do broadcast em foco #EraNaSETExpo

por Renata Lea

O Congresso de Tecnologia SET Expo deu a nota com um passeio 360 pela realidade virtual. Daniela Souza, da AD Digital, escalou um time diversificado para tratar do assunto e desnudar várias facetas VR. Em 90 minutos, a plateia viu a tecnologia pelo olhar futurológico, pelo técnico, por outro voltado para o storytelling e, por fim, por um focado no consumidor final.

A mensagem geral é bem positiva, cheia de possibilidades e da excitação de viver um momento único, em que as pessoas ainda estão descobrindo como lidar com vários pontos e questionando o lugar e a funcionalidade ideal da tecnologia. O entretenimento em VR será uma mera extensão do cinema? Como conciliar a tendência da programação ao vivo e da partilha instantânea com arquivos tāo pesados e uma banda de transmissão limitada? Qual o tempo ideal para uma experiência VR confortável?

Mesmo que ainda sejam muitas as perguntas sem respostas, os movimentos recentes apontam para um cenário positivo. Estamos diante de um mercado de 150 milhões de dólares, e não dá para adiar os planos de futuro frente a isso. Na hora de pensar e buscar compreender realidade virtual, o futuro é agora.

Um dos pontos que Camila Ghattas, da Diip, destacou em sua apresentação foi transição entre internet de informação e internet de experiências, novidade que já começa a se desenhar. A VR está no centro dessa verdadeira revolução. Some-se a isso (atenção marketeiros) o potencial dessa tecnologia na captação de dados. Já se fala em VR analytics, destacando a possibilidade de estudar o olhar e o movimento da audiência dentro de um eixo X-Y. Quando chegarmos ao ponto onde o website será substituído pelo webenviroment, nossas práticas de consumo de informações e produtos vão se alterar, e os dados de VR analytics valerão ouro.

A evolução dos equipamentos relacionados a realidade virtual, bem como os processos de produção seguem seu ritmo, sem obstáculos para a expectativas de pensadores e futorologistas, embora com mais parcimônia. É importante lembrar que, por volta de 2011, nossa produção padrão era em SD (720 X 480 pixels a 30 quadros por segundo). Na captação em 360, a resolução chega a 16.000 pixels, isto é 380 vezes mais que o formato SD, ou seja, estamos lidando com algo absurdamente maior do que lidávamos há apenas cinco anos.

Apesar do tamanho do desafio, vamos seguindo no caminho certo. Sandro Di Segni, da O2, mostrou como a indústria vem construindo soluções à medida que os problemas se apresentam. Essa ainda é a fase em que se faz um sem número de testes e muito se aprende na prática. Enquanto os equipamentos evoluem, as equipes de filmagem precisam lidar com o malabarismo para não aparecer nas captações em 360 e, ainda, contar com um editor com boa mão para apagar o que escapa e não deve aparecer em cena, como os pés da própria câmera, por exemplo.

A dobradinha hardware-software trabalha em sintonia aqui, e Frederico Grosso, da Adobe, contou como os programas usados para edição tradicional estão evoluindo para ajudar a contar uma história. Além das funções óbvias, alguns softwares já trazem a possibilidade de aplicar imagens em layers no que foi captado por uma câmera panorâmica. É a tecnologia dando os primeiros passos em direção ao híbrido VR-AR. Mas, a inclusão de elementos ou efeitos exige cuidadoredobrado quando se trabalha no ambiente complexo de um vídeo em 360, onde o risco de quebrar a ilusão é grande.

Frederico considera que o maior desafio para quem conta uma história em VR ou 360 seja negociar a atenção da audiência. No cinema, isso era feito através de um ponto fixo (a tela) e da edição. Numa exibição panorâmica, onde a liberdade de quem assiste é total, ainda não há certezas entre as ideias que surgem para levar o olhar espectador àquilo que o storyteller quer que ele note.

Enquanto os profissionais dão voltas para firmar a realidade virtual, o consumidor se mostra receptivo às experiências em VR. Os equipamentos à sua disposição vêm se aprimorando, mas a oferta de conteúdo cresce muito timidamente. A Samsung tem se empenhado nisso, como contou seu representante nessa conversa. Renato Citrini falou do Gear, óculos panorâmicos da marca, e das soluções que a empresa encontrou para atender a demanda crescente por atrações em 360. Entre os parceiros da Samsung, está o Netflix – a plataforma ainda não tem vídeos panorâmicos, mas criou o cenário virtual de um cinema, em cuja tela o filme selecionado é exibido. Cirque de Soleil e YouTube também compõem a vitrine de conteúdo, mas nada se compara a uma conquista recente: a parceria com o canal SportTV para a exibição de algumas competições das Olimpíadas do Rio. Quem acompanhou a vitória de Bolt pelo Gear, viu tudo do ponto de vista da linha de chegada. Com certeza, uma experiência inesquecível.