Path_FeiraStartUps_byRodrigoTerra_edit

O Festival Path mostrou a que veio no último final de semana, com dois dias de muita diversidade e troca cultural em meio às tantas atrações. Um bom espaço espaço foi dedicado aos empreendedores, com rodada de negócios, feira de start ups e palestras para aqueles que pretendem abrir um negócio. A receptividade desse público foi grande, mas, em especial, chamou atenção uma coincidência entre Feira de StartUps do evento e uma das mais concorridas de suas 150 palestras.

No domingo à tarde, uma enorme fila tomou conta do 1o andar do Instituto Tomie Ohtake, havia curvas, tamanha a quantidade de pessoas atraídas por um título sensacional: entre ganhar dinheiro e mudar o mundo, fique com os dois. Encabeçando a palestra, Alan Leite (Farm), Erik Cavalcante (Vox Capital), Kim Machlup (Moc Investimentos) e Rebeca Rocha (Aspen Institute) – todos, nomes conhecidos entre empreendedores dispostos assumir negócios capazes de transformar e gerar impacto positivo na sociedade.

Tal qual um projeto transmídia, equilibrar o ganho social com o ganho financeiro é uma tarefa complexa, mas longe o impossível. No próprio festival, eram muitas as realizações inspiradoras para apoiar os sonhos daqueles que enfrentaram a fila ainda pensando em colocar uma ideia em prática.

Dos cerca de 20 participantes da Feira de StartUps do Festival Path, vários tinham uma clara proposta de transformação de comportamentos. Entre negócios simples e complexos, lá estavam olhos brilhando ao contar ideias cujas possibilidades vão além de uma simples fonte de renda. Há quem diga que estamos vivendo um novo Iluminismo, é fácil concordar quando nos vemos diante de tantas propostas capazes de alterar a maneira como fazemos o que já fazemos do mesmo jeito há tempos. Para a Associação #EraTransmidia, esse tipo de notícia é animadora, afinal, assumindo a transmídia como objeto de trabalho e estudo, conhecemos bem os desafios propor a investidores ideias fora do padrão.

Para ilustrar o que estamos falando, considerando apenas a Feira de Start Ups do Path, as transformações da turma de empreendedores que estavam lá podem contar uma história assim:

A casa de Zé da Silva casa é um exemplo de sustentabilidade, ele está sempre em contato com a Casa Causa, que orienta sobre as soluções que busca para economizar energia, água etc. Aliás, ele reduziu absurdamente a quantidade de água que vai pelo ralo na descarga desde que sugeriram que adquirisse um Piipee, um dispositivo que higieniza e desodoriza o vaso sanitário com algumas gotas de uma solução química biodegradável. Agora que gasta em torno de 80% menos água do que gastava com a descarga, sobrou grana para comprar um Beenoculus e mergulhar nos vídeos de realidade virtual. Como o Zé é uma pessoa legal, vai chamar os amigos para curtir a novidade – ótimo pretexto para uma festa. Para tornar a experiência mais divertida e evitar interrupções por ligações inoportunas, usou o Tradr para trocar umas coisas que não queria por um celular usado em que vai baixar quantos vídeos puder. Turma convidada, é hora de comprar os pratos e copos descartáveis feitos de mandioca da CBPack. Para isso, vai sair no carro que compartilha com os vizinhos através do Pegcar. Antes, checa tudo com o sistema de monitoramento da Nexer, que fica de olho em cada detalhe de funcionamento e consumo de sua máquina.

Cada pequena mudança proposta por essas empresas tem potencial de transformar comportamentos e interferir em mercados. A Beenoculus, por exemplo, torna mais acessível as possibilidades da realidade virtual, seja no lazer, na educação, na publicidade etc. Um mercado novo, que já conta com players brasileiros atuando de ponta a ponta na cadeia dessa indústria recém nascida.

Já a Casa Causa, a Piipee e a CBPack trazem mais opçoes para os consumidores atentos ao meio ambiente, um pequeno nicho no passado, que, hoje, já gera inúmeros negócios e dá sinais significativos na transformação de comportamentos e perfis de consumo. A Pegcar e a Tradr, além do apelo da sustentabilidade, engrossam o caldo das empresas da economia de compartilhamento, tendência crescente em todo mundo e consonante com a filosofia minimalista, uma das possíveis interferências mais transformadora no que tange a sistemas econômicos baseados em compra e venda.

Observar essas empresas é uma aula que muitos papas do mercado assistem com atenção. O mundo está mudando de maneira inesperada, tornando o idealismo economicamente viável graças a um perfil diferente  de empreendedores. Neles, a fé no próprio propósito que carregam é a principal força motivadora.