#EranoSETEXPO 2015 – Impressões

Uma apreensão geral riquíssima do que foi o maior evento de broadcast e novas mídias da América Latina na visão de Daniel Freire Lopes

Desde domingo, 23/08, o universo da TV e das Novas Mídias foi escancarado ponto a ponto, detalhe por detalhe. Tecnologia foi, é claro, o foco do Congresso – afinal, estamos falando de um evento da SET, a Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão; mas muito também se discutiu sobre conteúdo, sobre estrutura das empresas e sobre novas formas de monetização do negócio, entre tantos outros assuntos.

Neste dia de dizer: “até 2016”, acompanhei dois painéis radicalmente distintos, mas que resumem bem este SET Expo e a relação da televisão com sua gente (quem a faz e quem a consome).

André Barbosa Filho, da EBC – Empresa Brasileira de Comunicação, trouxe Marcelo Moreno, Professor e co-editor das Recomendações H.761 NCL e Ginga-NCL, David Britto, da TQTVD, empresa do grupo TOTVS, e David Wood, da EBU, para falar de “TVs conectadas / Ginga”.

Se há um futuro que se pode chamar de certo para a TV no Brasil, ele é esse. As TVs conectadas são caminho sem volta (ainda bem); e, por aqui, a opção (acertada) foi a de desenvolver um padrão próprio de IBB – Integrated Broadcast-Broadband. Logo, o Ginga estará em todas as TVs do Brasil, seja por Set Top Boxes, seja de forma integrada aos receptores, para trazer interatividade, diversidade de conteúdo e qualidade para todos nós, que consumimos TV aberta.

O Ginga é moderno, inovador, aberto e cheio de possibilidades; é uma plataforma que promete receber com carinho nossas criações de amanhã. E não é para isso mesmo que as novas tecnologias de produção e transmissão / recepção de audiovisuais são desenvolvidas, para acomodar criações, possibilitar a contação e a criação de histórias cada vez mais ousadas e elaboradas e levar conteúdo para o maior número possível de pessoas?

As novas tecnologias, as novas formas de produção de mídia, as novas plataformas disponíveis e todos os novos conceitos – como o Transmídia, só existem para nos permitir oferecer histórias que despertem sentimentos de forma potencializada.

Pensando nisso, me lembro do livro “A Memória Televisiva como Produto Cultural: um estudo de caso das telenovelas no Canal Viva” (https://www.facebook.com/memoriatelevisiva), do meu amigo e parceiro de trabalho Julio Cesar Fernandes. Um dos trechos da publicação de Julio diz: “Ao estudar a memória televisiva, em especial a das telenovelas, é possível identificar que elas contribuem para a compreensão do lugar da mídia na construção da memória coletiva, principalmente no estudo da construção de identidades coletivas. Para a criação e a afirmação de identidades culturais nacionais, é crucial que haja a preservação de sua história”.

Ora, mas, Daniel, até agora você estava falando sobre Ginga, sobre tecnologia, sobre o conteúdo do futuro e, de repente, você me vem com essa?!

É, venho, pois, ao mesmo tempo que precisamos nos preparar para o futuro, devemos fazer um exercício de revisão do passado. A tecnologia pela tecnologia é algo vazio, dispensável. Qualquer inovação precisa de um sentido para se justificar e, na televisão, o sentido é o conteúdo, são as histórias que despertam emoções e criam pouco a pouco nossa memória e nossa identidade coletivas. É disso que a TV é feita e é para isso que a massa a deseja.

Penso de uma forma muito romântica? Talvez, mas prefiro saber os nomes de Vida Alves e Nilton Travesso do que o do Diretor de Marketing da emissora “x” (com todo respeito aos profissionais que trazem dinheiro para o nosso meio).

E, já que estou falando em tudo isso e que citei, sem nenhuma intencionalidade, os nomes específicos desses criadores da TV brasileira, aproveito para falar do segundo painel de hoje, “65 anos de TV – os Pioneiros – como foi a descoberta e a invenção do jeito brasileiro de fazer TV”, moderado por Fernando Gueiros, Diretor de Produção e Projetos Especiais da TV Globo.

No painel, Vida, Travesso e Gueiros deixaram muito claro que a TV como a conhecemos foi construída por gente ousada, por histórias bem contadas, por vontade e gana e, principalmente, por emoção!

Mesmo que você seja jovem como eu (rs… 30 é muito jovem!), deve lembrar de ter assistido algum programa em uma TV antiga. Me lembro bem de uma TV de tubo com caixa arredondada branca que minha avó tinha. Uma TV daquelas pequenas, com seletor e sem controle remoto, com antena com Bombril na porta e imagem preta e branca horrível!

Houve um tempo em que a melhor tecnologia disponível era um lixo perto da revolução que vivemos hoje e, mesmo assim, a TV avançou para criar o que alguns identificam como um verdadeiro quarto poder no Brasil. E, como chegamos a este ponto? Com pioneiros, com conteúdo e com muita emoção. O grande público se apega pouco a momentos como a invenção do controle remoto, ou à chegada da antena externa, ou ao aumento das telas; ele se apega mesmo a histórias marcantes como a do primeiro beijo da TV – protagonizado por Vida Alves, a eventos inesquecíveis como os Festivais da Record – produzidos e dirigidos por Nilton Travesso, com as grandes coberturas jornalísticas – muitas operacionalizadas por Fernando Gueiros.

Não quero, de forma alguma, transformar em menor o trabalho brilhante que vem sendo executado por engenharia e pesquisa e desenvolvimento dos meios Broadcast, Broadband e de Mídias Digitais – realmente acredito que eles já estejam muito à frente de nossa própria capacidade atual de criação de conteúdo. O que quero ressaltar é a importância de vermos além da tecnologia para reconhecer a alma que há na Televisão e no audiovisual como um todo. O melhor uso da tecnologia é aquele que a torna imperceptível, que permite que a experiência do usuário (não mais telespectador, agora ativo) seja direta e naturalmente ligada ao conteúdo por ele acessado.

A tecnologia não é a resposta para o futuro da TV, como utilizá-la é. Por isso, conhecer os recursos que temos disponíveis nos permitirá ser bons criadores da nova TV. Foi neste ponto que o SET Expo deu sua mais profunda contribuição neste ano – apresentando soluções, discutindo inovações e oferecendo protagonismo ao conteúdo.

Pense: se os pioneiros da nossa grande mídia criaram, há 65 anos, com tão poucos recursos e tão pouco conhecimento, exclusivamente a partir de sua criatividade e inventividade, algo que se tornou elemento da nossa cultura e da nossa história; nossa responsabilidade passa a ser muito maior com tanta tecnologia, recursos, educação e história disponíveis.

Cabe a nós a obrigação de lutar muito, com paixão e emoção, para fazer a melhor TV que formos capazes.

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