Realidade virtual dentro de uma caixa laranja no CurtaBrasilia – #EraNoCurtaBrasilia

Espaço cVRta, área dedicada realidade virtual no Curta BrasíliaEspaço cVRta no Curta Brasília

A EraTransmidia recebeu uma tarefa muito especial dos organizadores do Curta Brasília: compor a equipe de curadores na seleção de curtas nacionais rodados em 360. Durante meses, Ana Arruda, Fabricio Ofuji e Rodrigo Terra (nosso representante) analisaram vários filmes até chegar aos melhores. Os curtas escolhidos por eles estão sendo exibidos na 5a edição do evento, que começou no dia 15 de dezembro e se encerra no próximo dia 18.

Com um trocadilho com as letras “U” e “V”, o Espaço CVRTA é o ponto de exibição dos filmes em 360. Trata-se de um sistema multiplayer de visualização de vídeos em realidade virtual uma sala laranja equipada com bancos, óculos panorâmicos e fones de ouvido. Lá, o público tem a oportunidade de mergulhar em histórias diversas. Cada sessão dura cerca de 30 minutos e tem capacidade para 10 pessoas. A experiência conta com produções nacionais e holandesas, resultado da parceria do Festival com a Embaixada da Holanda. Aliás, a Holanda foi pioneira em lançar uma sala de cinema dedicada a produções em realidade virtual.

Parte interna do Espaço cVRta

Internamente, o Espaço cVRta foi pintado em laranja, marcando a parceria com a Embaixada da Holanda

Essa iniciativa faz do Curta Brasília primeiro festival brasileiro com um ambiente exclusivo dedicado ao cinema de realidade virtual. Mas o evento vai além e amplia os horizontes do público trazendo, ainda, palestras, debates e atividades de formação. São mais de 100 curta-metragens em exibição, organizados em 7 mostras: Calanguinho, Surdocine, Provocações, Espanha em Curtas, Prêmio Alemão de Curtas, À Francesa e (novidade de 2017) Holanda em Curtas.

Na Mostra Calanguinho, o público infantil tem seu espaço garantido. Na Provocações, temas que despertam debate – como sexualidade, política e religião – assumem a tela. Já a Surdocine garante a inclusão de deficientes auditivos na indústria cinematográfica, com produções que abordam a cultura surda. Na programação, curtas em que o idioma principal é Libras e diretores surdos compartilhando suas vivências na tela grande.

Anna Muylaert com Ana Arruda e Rodrigo Terra

Recepcionada por Ana Arruda e Rodrigo Terra, Anna Muylaert prestigiou o Espaço cVRta

Colocando os curta-metragens sob os holofotes, o Curta Brasília ajuda a construir público e a garantir a visibilidade de um formato tão preterido pela indústria do cinema comercial mas que, ao mesmo tempo, é fundamental na criação das bases da sétima arte. É nos curtas que os jovens cineastas testam habilidades e aprendem tudo o que livros e aulas não podem ensinar. E o que dizer das experimentações, seja de linguagem ou de tecnologia? O momento que estamos vivendo com os vídeos 360 e a realidade virtual serve de exemplo.

De um lado, o mundo vive o frisson das câmeras que captam um ambiente em sua integralidade. Mas como contar uma história audiovisualmente quando a tela não é mais o suporte? Nos bastidores, o debate é sobre a fotografia verdadeiramente panorâmica, a captação de som etc. E a grande dúvida: como se constrói uma narrativa em que a audiência decide para onde olhar? São muitos os aspectos ainda em exploração no uso dessa tecnologia no cinema. Investir em um longa-metragem para esses testes seria, no mínimo, imprudência.

A propriedade com que o Curta Brasília assume o papel de valorizar a cultura do curta-metragem merece reconhecimento. Abrindo espaço para histórias contadas brevemente em vídeos 360 e para filmes em que a experiência de ouvir é desafiada, como ocorre na Mostra Surdocine, o Festival garante aos fãs de cinema um futuro que desafia formatos e assegura inclusão e talentos.

 

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