A Campus Party de Salvador foi mais um capítulo da EraTransmidia na capital baiana. Foi, também, mais um espaço conquistado pela ETM na história da maratona tecnológica mais famosa do Brasil. Se os palcos montados no Anhembi já são nossos velhos conhecidos, em Salvador, foi tudo diferente, especialmente considerando o lugar escolhido para receber campuseiros e companhia: a Fonte Nova, principal palco do futebol no estado.

Na Copa do Mundo de 2014, o estádio foi apelidado de Fonte de Gols, por causa das grandes goleadas que registrou. Na Campus Party, não foi diferente, mas, em vez do constante balanço das redes, o que surpreendeu foi o público. Para começar, os ingressos acabaram num piscar de olhos, dando pistas do que viria pela frente. A estrutura foi organizada para abrigar 4 mil campuseiros, espaço não faltava. Tamanho interesse levava a crer que seriam muitos os visitantes na Open Campus, área de acesso gratuito do evento. Os organizadores, considerando a experiência de inúmeras edições anteriores, calcularam que 40 mil pessoas passariam por ali. #sqn. 80 mil visitantes foi a média ao fim dos 3 dias em que a Open Campus ficou aberta.

Essa galera teve acesso a uma série de atrações, de simuladores a espaços para treinar a habilidade em robótica. Um parceiro da ETM, a 3D Play estava lá com um simulador de vôo em realidade virtual. A estrutura contava com uma asa delta e um óculos Rift. Na experiência as pessoas foram suspensas, como num vôo de verdade. Sem contato com uma plataforma estática, tinham a sensação física de estar voando. Isso, somado às imagens e recursos de VR, dava a sensação de estar, realmente, nas alturas. Só experimentando para ver! Aliás, temos um post sobre a importância de considerar o corpo do usuário na hora de criar uma experiência imersiva. Lendo, dá para entender melhor os motivos que levam tanta gente a se encantar com simuladores como esse.

Simulador de vôo
Simulador de vôo, uma das atrações preferidas dos visitantes da Campus Party Bahia

Rodrigo Oliva, da 3D Play, contou que um dos momentos mais marcantes que viveu na Campus Party de Salvador foi quando um cadeirante usou o simulador de vôo. “O que eu mais gosto da asa delta é a oportunidade de superação que ela oferece”. 

Para ele, são histórias como essa que dão motivação às viagens constantes para levar o simulador a diversos eventos. Startups e projetos acadêmicos com potencial para entrar no mercado também tiveram espaço garantido no evento. A maioria dos participantes desse espaço estava em seu primeiro contato com a Campus Party.

Maiane Chagas Dourado, estudante de arquitetura, chegou ao evento com o projeto de um Centro Cultural Portátil. Ela usou uma técnica japonesa, a samblagem, para propor uma estrutura que pudesse ser itinerante. A proposta de Maiane vai além da utilização da portabilidade como modo de disseminar a cultura. Talvez, instigar o público a interagir com o equipamento seja seu maior insight. Depois de ouvir muitas sugestões de quem passou pelo evento, a estudante descobriu novas perspectivas para sua ideia.

“Uma enorme contribuição que a CP trouxe para o projeto foi ampliar minha visão sobre negócios. Saber que meu projeto, que nasceu como um sonho pessoal, pode se tornar real e impactar positivamente a vida de muitas pessoas” – conta a estudante.

Os inventores Michelle Cavalcante e João Lucas Silva, ao lado do designer Rafael Sol Santos, também levaram à Campus um projeto que começou na faculdade. Orientados pela Docente e pesquisadora do IFBA (Campus Paulo Afonso) Danielle Bandeira de Mello Delgado, o trio está antenado com demandas de mercado que mal começaram a nascer. Eles estão à frente do PSClean, um sistema automatizado e de baixo custo para limpeza e arrefecimento de painéis solares.

Munida de um modelo em miniatura, a equipe despertou a curiosidade de muitos visitantes dispostos a incentivar os estudantes. Michelle destacou: “A participação de diversos públicos, agregando de diversas formas e reconhecendo positivamente o projeto como solução para a problemática. Ou seja, reconhecendo a nossa solução como necessária, criativa, inovadora e acessível para uma efetiva limpeza e arrefecimento do painel solar de forma a aumentar sua eficiência e garantir sua vida útil.” Para ela, “a Campus Party é um evento tal que é impossível não surgir novas inspirações”.

As trocas entre as pessoas foram as menções comuns em várias conversas com quem participou da Campus Party em Salvador. Leonardo Lima, youtuber e campuseiro de 14 anos, destacou as palestras em que temas natureza e saúde foram tratados lado a lado com tecnologia. Mas ressalta,

“O que mais me chamou a atenção na Campus Party foram as pessoas. Elas não estavam nem aí para as outras, se vestiam como queriam, se vestiam de personagens, levavam seus computadores. Estavam ali para elas mesmas e seus amigos. Todo mundo junto… eu adorei essa parte porque isso é uma coisa acolhedora que a Campus faz.”

Os palcos da Campus foram montados na região das arquibancadas e, como acontece em todas as edições, foram ocupados por referências locais, nacionais e internacionais quando o assunto é tecnologia. A ETM foi representada pela empresária, Mariana Lima, membro da Associação em Salvador. Debaixo de chuva, ela falou sobre transmídia com uma plateia cheia de interesse. Alguns amigos da Era também partilharam seus conhecimentos com o público da Campus Party em Salvador. Estavam lá, por exemplo, o empresário Dado Schneider e o cientista de dados Ricardo Cappra, que comandou uma das palestras de mais sucesso no evento.

Enquanto tudo isso rolava, o trabalho dos maratonistas se mantinha incansável. Em meio a laptops, supercomputadores, drones, simuladores e robôs, o reinado era da criatividade. No fim, independente do lugar, a tecnologia se justifica na aplicação que as pessoas criam para ela, e é aí que a semente da inovação é plantada. Só então a gente entende porque, enquanto o pós-humanismo vira manchete, as pessoas ainda são a maior lembrança de um evento em que as máquinas são o destaque.

Gostou e quer saber mais do que rolou na CPBA? Dá uma clicada aqui e  já se prepare para o próximo, pois estaremos lá de novo 😉