Nem de longe, esse artigo pretende apoiar casamentos arranjados e/ou forçados, mas sim, contar uma grande história, que resultou em um desses matrimônios típicos dos anos 20.

A história da Sinhá Moreira

Luzia Rennó Moreira, ou Sinhá Moreira, como era chamada pelos capatazes e ex escravos de sua fazenda, no interior de Minas Gerais (1907- 1963), em Santa Rita do Sapucaí, cidade que atualmente possui cerca de 40 mil habitantes localizada ao Sul de Minas. Em uma época em que a figura feminina era predominantemente vista apenas como ser reprodutor, frágil e incapaz de se colocar à frente dos negócios e decisões da família, tidos estes como assuntos estritamente masculinos, fora obrigada por seus pais a se casar com o Diplomata Antônio Moreira de Abreu, com quem acabou tendo a oportunidade de conhecer o mundo, algo raro para uma mulher de sua época. Dentre as viagens, conheceu de perto, setores como os da educação, tecnologia da informação e inovação.
Fontes:  Wikipedia e  Fred Cunha News.

Em 1942, retornando definitivamente à Santa Rita do Sapucaí, participou de reuniões políticas, se envolveu em projetos filantrópicos e de incentivo à cultura, e de desenvolvimento. Dos conhecimentos advindos de Lisboa, Inglaterra e Japão sobre eletrônica e tecnologia da informação em 1959, fundou a Escola Técnica de Eletrônica Francisco Moreira da Costa (FMC) sendo pioneira na cidade que mais tarde se tornaria o Vale da Eletrônica.

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Imagem de Luzia Rennó ao lado de Clóvis Salgado durante a criação da ETE FMC (06/01/1959).

A partir deste período, uma nova ordem social se instalou na cidade, que seis anos depois ganhou o Instituto Nacional de Telecomunicações (INATEL). Até hoje, centro de excelência em ensino, pesquisa, desenvolvimento e inovação de tecnologias, com seis cursos de graduação, presenciais e ensino a distância (EAD), além de laboratórios e até incubadora de empresas (NEMP), criado em 1999, com o objetivo de unificar todas as atividades empreendedoras do instituto, com capacidade para 11 empresas em seu espaço físico.

Mais adiante, à partir de 2014, Santa Rita do Sapucaí recebeu uma grande novidade. Carlos Henrique Villela e Ralph Peticov que se conheceram após o SXSW 2014 (South by Southwest). Fizeram parte de um movimento chamado “Cidade Criativa, Cidade Feliz” que vem transformando a cidade unindo academia, empresas e o setor público.

Logo, ambos decidiram procurar João Rubens Costa (INATEL) e Marcos David (DÁGORA), que já realizavam inúmeros eventos e projetos em Santa Rita e em 20 de fevereiro de 2016, rodaram um piloto do Hack Town, num sábado com mais de 80 palestras em 14 locais diferentes com e um público médio de 500 pessoas. Sua 2º edição (02 a 04 de setembro de 2016) conectou voluntários e movimentou cerca de 1500 inscritos sendo, 1200 de fora da cidade e 70 de origens diferentes.

Hack Town

Ao ser questionado sobre como fazer algo genial, como um SXSW, só que em sua cidade tornando-a um lugar ainda melhor, Carlos Henrique Villela responde:

“Nossa grande inspiração não é exatamente o SXSW, mas o que chamamos de lado B do festival. Não é trazer a experiência do Convention Center, mas a do East Side, ou da Rainey Street. Aquilo que rola na rua, em pequenos locais e etc.”

Excelência em organização e estrutura, qualidade de programação e curadoria, certamente foram características notórias. Além disso,
intercâmbio cultural e profissional, criando conexões produtivas para diversos mercados, podendo até significar no solucionamento de pequenos e grandes problemas do cotidiano, e ativar o lado maker de cada um, foram pontos fortes do festival.

Acreditando no potencial do Hack Town, a Associação Era Transmídia (ETM) e sua equipe multidisciplinar, criou um ambiente de experiências e encontros, que ganhou o nome de “Hack House by Era Transmídia”, com atividades dentro da casa, localizada à Rua Coronel Francisco Palma, eixo que conecta da cidade à avenida do INATEL.

Hack House by Era Transmídia

A casa recebeu inúmeras visitas, tanto de aficionados que chegavam  seguindo o mapa impresso, quanto de curiosos que não faziam a menor ideia do que  encontrar ou mesmo do seria transmídia.

Érica Campos, membro ETM Brasília, atuando de repórter.
Érica Campos, membro ETM Brasília, atuando como repórter da Hack House. Comunicação Visual: Impact Brasil

 

As pessoas eram apresentadas aos óculos de realidade virtual (VR) e a Revista Mundo 360, com uma hospitalidade caseira e dinâmica.

Revista Mundo360º

 

Das atividades

No sábado (03), houve um workshop, na Hack House by Era Transmídia, envolvendo o projeto Sherlock Holmes IoT / Internet das Coisas, onde os participantes tinham um crime para desvendar, utilizando pistas envolvendo internet.

“Basicamente nossa experiência em Santa Rita tinha como objetivo construirmos juntos um protótipo do jogo de cartas, que vai compor a narrativa do game Sherlock Holmes e a Internet das coisas e verificar a viabilidade de termos como conjunto um jogo de tabuleiro ao invés de um Rule Book. Após um Brainstorming inicial, tivemos a encenação de nossa cena do crime tradicional, seguindo o modelo EDIT da Universidade Columbia, onde fizemos a Divisão de Grupos com o seguinte perfil: A) Equipe técnica de makers: App da temática do jogo sob o viés da história do Comida Invisíivel e Realidade Aumentada – pois, não tivemos condições técnicas de experimentar IoT. B) Equipe de Storytellers : que verificou a coesão ou não do Jogo de Tabuleiro e sofisticação da história além das pistas da cena do crime. Como sempre, foi muito legal e todos os presentes querem continuar contribuindo com o projeto!” Afirmou Mônica Swarzc, responsável e representante do projeto no Brasil.

img-20160903-wa0081Imagem: ETM

 

Acima, o local do “crime” demarcando “o corpo da vítima”, o Sherlock Holmes, interpretado por Rosalves Sudário, membro da Era Transmídia, oriundo de BH/MG; e brainstorming para descobrir as pistas envolvendo IoT e desvendar os mistérios propostos.

No mesmo dia, o selo de música independente da cena local: Burn The Lizard, promoveu o Burn The Lizard Sessions, com shows e um debate sobre música autoral, do qual Sheyna Adamo (membro da Era Transmídia), participou pela SAA Produções Multiculturais ao lado de Chiara Carvalho, Lucas Rinor, Guido Del’ Duca e participação de Lucas Julidori, num bate papo descontraído sobre dificuldades e desafios de quem assume trabalhos próprios, no cenário musical.

Ainda no sábado, parte da programação oficial do Hack Town o painel: Música: muito além do som com o vídeo de abertura “O que Toda Mulher Quer”, de Cauê Procópio, declamando seu conto , no palco do Centro Cultural Vergueiro (CCSP), na final do 1º Festival de Poesia da Cidade de São Paulo, levando uma mensagem de reflexão sobre as escolhas que fazemos ao longo da vida, conectou Hebert Mota, sócio da produtora audiovisual H.A.M.n.y.c, e do Na Cena Estúdios, ao Ruben Feffer, diretor do Ultrassom Music Ideas, para levar um papo animador, à quem busca se consolidar nestes mercados que permeiam a música.

Para Rubens, conhecido no mercado por Binho:

“Todas palestras que vi e o debate que eu participei foram muito bacanas, com surpresas e conteúdos interessantes, participação ativa da plateia. Fiquei muito feliz com a mistura total de gêneros, idades, estilos e culturas presentes, não era aquela coisa homogênea, só “nerds”, ou só “doidōes”, ou só músicos, ou só jovens recém-formados, não, realmente tinha de tudo e acho que isso é o que mais enriquece esse evento.”

Encerra dizendo ainda estar super ansioso para uma participação mais intensa, na edição de 2017.

painel-musica-alem-do-som              Painel apresentado no Real Palace Hotel

Para assistir este painel clique aqui

img_20160903_165625776Imagem: Davi Freitas

Acima, Bruna Felix, Sheyna Adamo, Hebert Mota, Nikki Felix Julio Mossil. Ao fundo, mural da Hack House by Era Transmídia, por Diego Das e Flaviano Pivoto.

No domingo (04), na Hack House by Era Transmídia, Jean Rafael Tomceac, realizou a atividade: “Hands on game Development”, a partir de um tema escolhido na hora (políticas públicas), criando e lapidando uma ideia de game para prototipação rápida e testes, proporcionando experiências lúdicas, aplicadas ao design. Participaram da atividade representantes do DesignThinkers Group que em seguida, aplicaram um workshop de Design Thinking, no INATEL, enquanto na sala ao lado, aconteceu o workshop de Multi Plataforma Multi Audiência (MAMP) ministrado por Rodrigo Terra e Rodrigo Arnaut. Durante esta atividade a metodologia aplicada contou com a participação especial de Henrique Prado, todos da Associação Era Transmídia.

tatiana-coelho-e-dtgroupTatiana Coelho DTG e outros participantes do Workshop de Gamificação

 

workshop-mampWorkshop MAMP e experimentação de VR, no INATEL.

Na ocasião, orientados por Rodrigo Terra (Fazenda Urbana) e Renata Léa (ETM), os participantes puderam vivenciar duas experiências imersivas em VR: Google Tilt Brush e Everst VR / Solfar Studio.

“Pela primeira vez na história existe um aparelho vendido para a sociedade, que abriu as possibilidades de se criar novas experiências em realidade virtual e interativa. Ainda, que as linguagens já conhecidas, isoladamente e individualmente, não se aplicam. No máximo em um agrupado de várias, criando novas linguagens e que exige muito estudo e experimentação” finaliza Terra, que trata o VR como um novo meio de comunicação.

renata-lea-e-rodrigo-terra-santarita-2016Rodrigo Terra e Renata Léa durante aplicação de VR, em aluno do Workshop de MAMP.

Para finalizar, Sheyna, Arnaut e Henrique foram muito bem recepcionados em visita ao campus e espaços do INATEL, recebidos por João Rubens Costa, e Marcos David (DÁGORA).

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Visita ao Crowdworking, espaço dentro do INATEL

 

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Leonardo Amaral, da B3D, empresa incubada no INATEL, recebendo a visita de Sheyna Adamo, Rodrigo Arnaut e Henrique Prado

Por fim, todo o evento foi um sucesso, deixando um legado de experiências e aprendizados, para o
Hack Town em 2017.

Acompanhem!

Por Sheyna Adamo Attar, em parceria com Jaqueline de Oliveira (Membros do ETM SP).